domingo, 1 de novembro de 2015

Pane



Entre a incrível obra prima que vi ontem, a trilogia da infância de Bill Douglas, e os planos de Van Damme a lutar meio cego no final de Bloodsport, o meu cérebro está como o tempo. Alagado, à espera de processar tudo, à espera de uma aberta de sol para colar os pedaços que entretanto, tenho a certeza, se partiram.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Aprender a amar a estranheza

Foi justamente assim que aprendemos a amar todas as coisas que agora amamos. Afinal sempre somos recompensados pela nossa boa vontade, nossa paciência, equidade, ternura para com o que é estranho, na medida em que a estranheza tira levemente o véu e se apresenta com uma nova e indizível beleza: é a sua gratidão pela nossa hospitalidade. Também quem ama a si mesmo aprendeu-o por esse caminho: não há outro caminho. Também o amor há que ser aprendido. 

in A Gaia Ciência - Friedrich Nietzsche

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

A reforma de Soderbergh

Bacon fumado

Na semana em que se descobriu que não se deve fumar bacon, decidi contribuir com um cigarro para a sopa. Como isto não faz grande sentido mais vale ler.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

domingo, 25 de outubro de 2015

Crimson Peak: do barro à argila


Guillermo del Toro é um homem engenhoso. Não apenas como cineasta construtor de mundos fantásticos e personagens dantescas com rabinhos e unhas crescidas, mas também pela forma como evita esses outros monstros chamados circunstancialismos de produção. Neste Crimson Peak o verdadeiro fantasma real é Ghost de Jerry Zucker, mais concretamente na ameaça de certas cenas do romance entre Tom Hiddleston e Mia Wasikowska terem o dever de rever os sustos do filme com uma mãozinha no ombro da menina no cinema. Entre o susto e o beijinho, a produção de Crimson não desdenha um lento resvalar da argila sanguínea ao barro meloso de Demi Moore e Patrick Swayze. É precisamente nessa linha de impedimento, para uma coisa não descambar na outra, que del Toro trabalha, com a inteligência de pôr os meios materiais ao serviço da sua vivacidade criativa. Aqui é a recriação do gótico em todo o seu esplendor: nos candelabros, na casa da colina vermelha como ninho mais vivo e excitante que as próprias personagens, no belo e longo cabelo de Mia, nos soprares arrepiantes e existencialistas dos fantasmas como reflexos dos traumas interiores. Mesmo nos cãezinhos capazes de distinguir muito bem o que é de cada mundo.

Nessa recriação reconheço a mão firme, fico agastado com dois terços do filme com um esquema narrativo chato e previsível e, por fim, a ideia recorrente do gótico: os fantasmas existem mesmo. Entre Barba Azul e Rebecca, Del Toro adianta a hipótese de o cinema, fantasmático por natureza, se pôr a explicar a "carne" das assombrações" como daltonismo num filme cheio de vermelho e branco, de um fantasma como alguém preso a um passado que desmaterializa o seu corpo para ficar lá atrás no que já viveu mas não conseguiu processar.