terça-feira, 24 de março de 2015

Cinema Mudo


Num texto sobre a passagem de Roma, città aperta de Rossellini na Gulbenkian no início dos anos 70, João Bénard da Costa conta como Langlois, perante o sucesso do filme, os gritos de liberdade e as lágrimas do público, lhe havia dito que "o país podia ser assim ou assado mas que dentro de bem pouco tempo muitas coisas se iriam passar". Já depois do 25 de Abril, Bénard perguntou a Langlois como é que ele, anos antes, tinha conseguido prever, pela reacção do público português ao filme de Rossellini, todo o golpe que se seguiria. 

A resposta:

"Sabe - ripostou-me- o cinema mudo ensinou-me a ver muito. Não foi a algazarra que me impressionou, mas as caras das pessoas. As caras dos maus e as caras dos bons. (...) Le cinéma muet. Le cinéma muet." 

segunda-feira, 23 de março de 2015

Pusemos botox mas já voltámos


Da cruz ao manicómico


domingo, 22 de março de 2015

Call Girl

António-Pedro Vasconcelos pergunta a Roberto Rossellini: 

"Não era importante para si ter um público vasto, comunicar?"

Resposta: 

"Não. Se se persegue essa ideia está-se condenado ao fracasso ou à prostituição. Ou se escolhe fazer coisas nas quais se crê, aceitando correr todos os riscos que se encontram pelo caminho e se tem a alegria de as ter feito, ou há a via da prostituição. Não há outra hipótese."

sábado, 21 de março de 2015

A espera do médico e a espera do padre

La macchina ammazzacattivi (1952)


sexta-feira, 20 de março de 2015

Dio! Dio! Dio!


quinta-feira, 19 de março de 2015

O final de Viaggio in Italia



Ontem o Luís Mendonça dizia-me, e eu concordei, que o final de Viaggio in Italia caía-nos assim abrupta e inesperadamente. Como uma revelação, de facto. Essa queda do final, como os partisans a fazer ploch na água em Paisà (nunca ninguém esquece esse ploch) ou la chute de Edmund no desfecho de Germania, acentua-se pela movimento "religioso" da grua (Rosselini era ateu). Hoje, ante a limpeza da cópia digital restaurada que dentro em breve andará à solta por Lisboa, veio-me à cabeça ontra grandeza daquele final. Rossellini continua a filmar a procissão depois do I love you do George Sanders e a multidão de pessoas continuar a passar. Além de um amor resolvido se "apequenar" ante a grande máquina inexorável de pessoas que continua a girar e que constrói a indiferente beleza da existência, aqueles os dois ficaram, Rossellini abandona-os, ali, como um casal cristalizado no seu amor (que se presume para sempre) na lava de pessoas que os imobiliza-imortaliza.