quinta-feira, 17 de setembro de 2015
quarta-feira, 16 de setembro de 2015
If you do the job in a principled way, with diligence, energy and
patience, if you keep yourself free of distractions, and keep the spirit
inside you undamaged, as if you might have to give it back at any
moment–
If you can embrace this without fear or expectation–can find
fulfillment in what you’re doing now, as Nature intended, and in
superhuman truthfulness (every word, every utterance)–then your life
will be happy.
No one can prevent that.
Meditações- Marco Aurélio (Livro 3)
segunda-feira, 14 de setembro de 2015
Shyamalan
O motivo pelo qual não sou especialmente crente no dispositivo do found footage resulta
do facto de se presumir que o achado tem a mesma força do procurado.
Quer dizer, pensar-se que a dotação do dispositivo nas mãos do anónimo,
ao produzir uma proximidade entre quem captou as imagens e quem as vai
ver, o espectador, pudesse descurar uma espécie de critério para o
"achamento" dessas imagens. Quando Tyler diz à irmã Becca que esta tem a
camisola do avesso, que não a vestiu bem porque não se olha ao espelho,
sempre com os olhos baixos, com receio da imagem que o reflexo lhe
possa devolver, o espectador percebe que M. Night Shyamalan está a ir ao
cerne da questão do dispositivo que está a utilizar. De que serve a
câmara para captar o real, se o seu utilizador é incapaz de olhar? Para
que nos é útil o POV sem uma view? Numa das cenas finais, a
rapariga é presa no quarto com a avó e esta aparece-lhe na câmara pela direita. Becca faz uma panorâmica para a esquerda em vez de, ou encarar
a luta com a avó, ou fugir dali rapidamente. Ela acaba por filmar o
espelho como solução da charada: para ver o que está à minha volta, para
que a passagem da subjectiva à objectiva não seja em vão ou mera
técnica sem fundo, é preciso que primeiro ela se consiga olhar a si
própria.
Se The Visit
problematiza o olhar para determinar como este se pode mediar através
de uma câmara, já o trauma do irmão Tyler - o ter ficado imóvel num
jogo de futebol americano ante o olhar do pai, quando devia ter corrido
para parar o adversário - continua a bordar o drama interior das
personagens à dimensão metacinematográfica do filme. Agora é o
movimento por oposição à imobilidade que está em causa. Nas cenas finais
de confronto, a câmara (quase) fixa coloca em tensão o movimento das
pessoas no plano. Shyamalan filma Tyler imóvel (estranhamente imóvel, de
costas) enquanto o avô vai e vem no plano (porquê, não vem ao caso
aqui). A explosão final de Tyler marca a dimensão do movimento
e-mocional como catarse de uma agitação interna que se produz na sua
mente e que o fará tornar-se jogador, finalmente, correr para o
objectivo, "trancado" até então. Metáfora para a questão do movimento de
câmara, que, enquanto dispositivo, deve vir antecedido (justificado) por
um movimento interior. É o caso.
Finalmente, a distância aos eventos. Problema bicudo num tempo em que nearer is better.
Na sequência em que Becca faz referência à ética cinematográfica (que
ninguém respeita) está em causa o consentimento na captação das imagens
mas também a medição do espaço certo entre quem filma e o que se filma.
Shyamalan não faz outra coisa senão matraquear-nos com esse problema
quando põe as crianças a colocar a câmara sempre atrás de sofás, mesas,
candeeiros. Essa distância não é só uma questão de respiração (é preciso
estar longe para preparar a acção, a proximidade) mas é também um
indicador técnico (um ensinamento clássico) de que The Visit
é um filme sobre dois pares de personagens que têm muitas coisas entre
si, que não estão próximos, que tentam uma união momentânea. Essa
distância é ainda a distância que serve uma estranheza. Shyamalan quer
filmar duas crianças que não são crianças (não sabem brincar como
crianças, são pequenos investigadores-cineastas-cómicos) e dois avós que
não se comportam como avós.
Por tudo isto, The Visit
é menos um filme de terror, ou um filme com graça, e mais um exercício
de paralelismo entre os traumas e-mocionais de uma família e os
problemas que se colocam aos cineastas. Problemas não muito diferentes,
com solução a vir, na maioria das vezes, do mesmo sítio.
quinta-feira, 10 de setembro de 2015
Estreia esta semana o último filme do iraniano Mohsen Makhmalbaf, The President. Escrevo aqui, sobre.
quarta-feira, 9 de setembro de 2015
terça-feira, 8 de setembro de 2015
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