quarta-feira, 22 de abril de 2015
terça-feira, 21 de abril de 2015
Neo-canibalismo
"Há neste mundo um bilião de indivíduos bem alimentados, cujos caprichos são totalmente satisfeitos, e três biliões que nada têm. E se um dia esses três biliões, não tendo mais nada para trincar, resolvessem comer o bilião de homens bem alimentados que engordam à custa deles, sem sequer se preocuparem em convidá-los para participar no festim? Que gosto terá essa coisa de tripas à ocidental? Esse neo-canibalismo, que nada mais seria, afinal de contas, que uma justa represália, não iria fazer com que os esfomeados fossem muito longe; nada mais seria, para eles, que um homem gordo a dividir por três, que lhes chegaria para passar um Inverno com uma reserva de salmoura e pouco mais. Mas é perfeitamente concebível.
É essa a razão que me leva a afirmar que a reforma da educação é uma necessidade que depende do interesse de cada um. E que interesse é esse? O dos cineastas? O dos capitalistas? O do operário? Não. Trata-se da espécie humana à qual pertencemos. Procuremos defini-lo: o resto seguir-se-á naturalmente."
Roberto Rossellini (1977)
Roberto Rossellini (1977)
quinta-feira, 16 de abril de 2015
segunda-feira, 13 de abril de 2015
guarda-sol
"(...) Lawrence descreve o que a poesia faz: os homens não deixam de fabricar um guarda-sol que os abriga, por baixo do qual traçam um firmamento e escrevem suas convenções, suas opiniões; mas o poeta, o artista abre uma fenda no guarda-sol, rasga até o firmamento, para fazer passar um pouco do caos livre e tempestuoso e enquadrar numa luz brusca, uma visão que aparece através da fenda, primavera de Wordsworth ou maçã de Cézanne, silhueta de Macbeth ou de Ahab. Então, segue a massa dos imitadores, que remendam o guarda-sol, com uma peça que parece vagamente com a visão; e a massa dos glosadores que preenchem a fenda com opiniões: comunicação. Será preciso sempre outros artistas para fazer outras fendas, operar as necessárias destruições, talvez cada vez maiores, e restituir assim, a seus predecessores, a incomunicável novidade que não mais se podia ver. Significa dizer que o artista se debate menos contra o caos (que ele invoca em todos os seus votos, de uma certa maneira), que contra os "clichês" da opinião (4). O pintor não pinta sobre uma tela virgem, nem o escritor escreve sobre uma página branca, mas a página ou a tela estão já de tal maneira cobertas de clichês preexistentes, preestabelecidos, que é preciso de início apagar, limpar, laminar, mesmo estraçalhar para fazer passar uma corrente de ar, saída do caos, que nos traga a visão."
Gilles Deleuze in "O que é a Filosofia?", p. 260 e 261
sexta-feira, 10 de abril de 2015
updates
Textos recentes na pala:
Necro-cinéfilia e metáforas do fotógrafo-cristo em:
Um filme “bonito, limpo e bom” do "feio, porco e mau" Ettore Scola sobre o seu amigalhaço Fellini:
Che strano chiamarsi Federico (2013) de Ettore Scola
e...
A segunda parte do Rossellini está para breve (a primeira aqui).
e...
Ide ver, desmioladamente, Furious 7 que o homem (James Wan) sabe filmar.
quinta-feira, 9 de abril de 2015
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