sábado, 7 de março de 2015

Vida de Estrada


(...)
"Onde a cura é sem vacina
E a cardina é sem pesar
Por lagoas e colinas
Vê-se a lágrima a secar"

sexta-feira, 6 de março de 2015

A scholar

Трудно быть богом (2013)- Aleksei Yuryevich German

quinta-feira, 5 de março de 2015

The Glass Cage


Ao ler o novo livro de Nicholas Carr, The Glass Cage, sobre os problemas da automação naquilo que de pior têm- expropriar-nos do trabalho e da decisão como rugas problemáticas e condição essencial ao nosso desenvolvimento - não pude deixar de pensar numa imagem-sonho que tenho para mim como expoente de um cenário pós-apocalítico do tecno-pessimismo. Não se trata da clássica inversão, o homem vai ser controlado pelos robots e vamos ser aniquilados. Na verdade esse controlo existe, ainda que numa dinâmica muito própria, desde a roda ou o fogo. A imagem é a de um homem num cenário todo negro apenas com um comando na mão e mais nada. Na minha mente isso representa o estado em que o mestre submeteu a técnica como escrava eliminando tudo o que há para fazer. Quando tudo tiver sido resolvido e estivermos condenados ao lazer total e eterno vamos desejar que esse comando, símbolo da despreocupação e da libertação final das agruras da vida, se torne uma arma com o qual nos possamos suicidar.

Fiquei um pouco desiludido com o livro de Carr (sobretudo porque o anterior me tinha aberto a pestana) e a incapacidade de evitar um acérrimo tecno-pessimo. Só falta a Carr dizer que devemos destruir os computadores armados em defensores do neoludismo como única forma de salvar o futuro e a subjectividade. Embora eu também seja mais pessimista do que optimista, ambas as posições face ao destino do avanço tecnológico se infectam de uma certa arrogância. Os optimistas acham que o novo é imparável e é sempre melhor porque crêem numa ideia de progresso, achando que nunca vamos ser capazes de terminar a nossa existência. Os pessimistas, contrariamente, querem de forma intensa e nostálgica voltar atrás com receio do fim da narrativa, do discurso. Em ambos impõe-se uma continuidade ou uma finitude implacável ao agir tecnológico.

Ora, se somos um grão de areia no universo, já devíamos saber que não somos lá muito especialistas em determinar inícios e/ou fins. Por isso, o media res é o que temos e é aquilo que nos deve guiar naquilo que também apenas temos: um caminho finito que pode continuar ou acabar a qualquer momento.

terça-feira, 3 de março de 2015

Khrustalyov, mashinu!



segunda-feira, 2 de março de 2015

Gone Girl e os póneis


Queria aconselhar a todos os que se deixaram deslumbrar por David "Luís de Matos" Fincher e o seu Gone Girl para espreitarem A Walk Among the Tombstones de Scott Frank. Se o primeiro é uma viagem colorida de rollercoaster, de trazer o estômago à boca, o segundo é como ir andar de pónei na mesma feira popular. Lentamente, em círculos, em cada paragem que o cavalinho faz (=Liam Neeson a encontrar cada pista) há oportunidade para o espectador se afeiçoar e ao equídeo de parar para descansar enquanto lança, alegremente, um montinho de bosta. Esse cheiro a terra borrada é o melhor que A Walk tem para oferecer mas ainda assim mais tangível do que a distância ao céu húmido e estratosférico, entre loopings do suspense e chá hitschockiano requentado, que Gone Girl quer fazer por passar por olhar nunca dantes navegado. 

Agora a sério: vejam o filme de Frank, pelo menos os últimos e soberbos 30 minutos.