quinta-feira, 11 de outubro de 2018



Pode resumir-se assim o último Greengrass: na primeira metade, uma implícita exploração da carnificina; na segunda uma explícita exploração da gelatina. No final de contas talvez agrade a Bolsonetes ou a saudosistas da série "24". Para os outros resta apenas a pergunta: porquê 2h:23m, porquê? Que tortura macaca.

sábado, 6 de outubro de 2018

#1 On the Pulse of Morning

A Rock, A River, A Tree
Hosts to species long since departed,
Marked the mastodon.

The dinosaur, who left dry tokens
Of their sojourn here
On our planet floor,
Any broad alarm of their hastening doom
Is lost in the gloom of dust and ages.

But today, the Rock cries out to us, clearly, forcefully,
Come, you may stand upon my
Back and face your distant destiny,
But seek no haven in my shadow.

I will give you no hiding place down here.

You, created only a little lower than
The angels, have crouched too long in
The bruising darkness,
Have lain too long
Face down in ignorance.

Your mouths spilling words
Armed for slaughter.

The Rock cries out to us today, you may stand upon me,
But do not hide your face.

Across the wall of the world,
A River sings a beautiful song,
It says come rest here by my side.

Each of you a bordered country,
Delicate and strangely made proud,
Yet thrusting perpetually under siege.

Your armed struggles for profit
Have left collars of waste upon
My shore, currents of debris upon my breast.

Yet, today I call you to my riverside,
If you will study war no more. Come,

Clad in peace and I will sing the songs
The Creator gave to me when I and the
Tree and the rock were one.

Before cynicism was a bloody sear across your
Brow and when you yet knew you still
Knew nothing.

The River sang and sings on.

There is a true yearning to respond to
The singing River and the wise Rock.

So say the Asian, the Hispanic, the Jew
The African, the Native American, the Sioux,
The Catholic, the Muslim, the French, the Greek
The Irish, the Rabbi, the Priest, the Sheikh,
The Gay, the Straight, the Preacher,
The privileged, the homeless, the Teacher.
They all hear
The speaking of the Tree.

They hear the first and last of every Tree
Speak to humankind today. Come to me, here beside the River.

Plant yourself beside the River.

Each of you, descendant of some passed
On traveller, has been paid for.

You, who gave me my first name, you
Pawnee, Apache, Seneca, you
Cherokee Nation, who rested with me, then
Forced on bloody feet, left me to the employment of
Other seekers--desperate for gain,
Starving for gold.

You, the Turk, the Arab, the Swede, the German, the Eskimo, the Scot ...
You the Ashanti, the Yoruba, the Kru, bought
Sold, stolen, arriving on a nightmare
Praying for a dream.

Here, root yourselves beside me.

I am that Tree planted by the River,
Which will not be moved.

I, the Rock, I the River, I the Tree
I am yours--your Passages have been paid.

Lift up your faces, you have a piercing need
For this bright morning dawning for you.

History, despite its wrenching pain,
Cannot be unlived, but if faced
With courage, need not be lived again.

Lift up your eyes upon
This day breaking for you.

Give birth again
To the dream.

Women, children, men,
Take it into the palms of your hands.

Mold it into the shape of your most
Private need. Sculpt it into
The image of your most public self.
Lift up your hearts
Each new hour holds new chances
For new beginnings.

Do not be wedded forever
To fear, yoked eternally
To brutishness.

The horizon leans forward,
Offering you space to place new steps of change.
Here, on the pulse of this fine day
You may have the courage
To look up and out and upon me, the
Rock, the River, the Tree, your country.

No less to Midas than the mendicant.

No less to you now than the mastodon then.

Here on the pulse of this new day
You may have the grace to look up and out
And into your sister's eyes, and into
Your brother's face, your country
And say simply
Very simply
With hope
Good morning.


Maya Angelou


quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Ciclo "#Elenão O cinema brasileiro na era neo-liberal"


Sexta às 19:30 na Casa do Brasil de Lisboa vou estar com Guilherme Sarmiento à conversa sobre os filmes "Edifício Master" de Eduardo Coutinho e "E" de Alexandre Wahrhaftig, Helena Ungaretti e Miguel Antunes Ramos. O ciclo "#Elenão O cinema brasileiro na era neo-liberal" é coorganizado pela Aniki: Revista Portuguesa da Imagem em Movimento e pelo CineSur . microcine latino.americano de Lisboa. Apareçam!


sexta-feira, 28 de setembro de 2018

The Wrong Man


The Wrong Man era um daqueles Hitchcocks que tinha visto há muito e do qual conservava apenas uma boa, mas muito abstracta, impressão. Revisto agora continuo a achar que faz uma boa parelha com I Confess feito três anos antes. Quanto mais não seja pelos seus protagonistas, o padre Michael Logan e o músico Manny Balestrero, ambos apanhados nas teias hitchcokianas urdidas de um peso, de uma culpa, e ambos silenciosos, serenos, esperançosos por uma Justiça que chegue e reponha a ordem normal dos acontecimentos.  O Bénard, aliás, falava nessa questão da espera como algo que opunha a personagem de Vera Miles à de Henry Fonda. Enquanto, a primeira havia sido transtornada fatalmente pelos incidentes que levaram à incriminação por um conjunto de testemunhas do seu inocente marido, este não havia verdadeiramente mudado apesar de tudo que lhe havia sucedido. Ela havia dado entrada numa prisão definitiva, ele espera da prisão literal sair rapidamente. Um pouco como a inabalável fé de Abraão, como bem viu em "Terror e Tremor" Søren Kierkegaard. Em todo o seu calvário nós ficamos com a inabalável certeza de que o Bem - neste caso, o achamento do verdadeiro culpado - surgirá mais tarde ou mais cedo. 

Mas tudo é muito irónico. Creio que foi no livro das entrevistas ao Truffaut que Hitchcock confessa que, apesar do filme terminar com a informação no ecrã de que a mulher de Balestrero havia recuperado a sanidade mental e saído do sanatório onde a dada altura é internada, tudo tinha sido para forjar um final feliz. Esse Bem de que falava. "Se calhar ainda hoje lá está", referia Hitch. Ou seja, se no cinema a fé inabalável move montanhas e rolos de película, na realidade não é bem assim. Esse era aliás a "pasmaceira" maior deste filme, segundo Hitchocock, que, habituado a ser o operário-cineasta-demiurgo de um mundo de emoções, de montanhas russas de tensão, de crescendos milimétricos e orgásmicos clímaxes thrillescos, se via aqui a braços com a chatice de ter de ser fiel a um caso verídico de uma falso culpado, de um caso de identidades trocadas. E isso vê-se bem no filme, todos os procedimentos policiais levados a cabo em pormenor, as cenas/planos em que Fonda só tem de caminhar, olhar, deixar a impressão digital denunciam essa "rigidez" que é tudo menos o toque de uma velha e bela Hitchcockery. 

Termino com uma curiosidade. Colecciono avidamente, laboriosamente, os raccords entre os ditos factos verídicos e o mundo da ficção. Essa obsessão fez-me pensar que o "olhar honesto" de Fonda poderia ter algum tipo de vestígio correspondente na sua biografia. Fui ler e encontrei uma coisa completamente diferente, outra coincidência neste filme, creio que se pode dizer assim, de "tentativa neo-realista" de Hitchcock. Em 1950, portanto seis anos antes deste The Wrong Man, a mãe de Jane e Peter Fonda, Frances Seymour Brokwaw, casada com Henry, suicidara-se devido a um colapso nervoso, aquando da estadia no Hospital Psiquiátrico de Austen Riggs. Agora vão lá ver as cenas entre Fonda e Miles, em que esta enlouquece e é colocada em "some place", como se diz no Psycho, para perceber a força, a ironia, a tragédia disto tudo. Talvez nunca Hitchcock tenha estado tão próximo do real e isso deixou-o imóvel, confuso, sem saber o que fazer. O filme, esse, ainda hoje irradia o seu estranho poder.

quarta-feira, 26 de setembro de 2018


"The winking humor of "To Catch a Thief" spilled over to "The Trouble With Harry", and some of John Michael Haye's sexiest double entendres ever came from the mouth of the octogenarian. "Do you realize you'll be the first man to cross the threshold?" Sam (John Forsythe) teases the Captain (Edmund Gwenn) in their first scene together, referring to hus courtship of the spinster, Miss Gravelly. "It's not to late, you know. She's a well preserved woman" replies the Captain defensively. "I envy you", Sam says. "Very well-preserved", the Captain muses, "and preserves have to be opened one day."